editado pela equipa da Casa dos Bits | ![]() |
| segunda-feira, 26 Outubro 2009 | |
Micróbio hiper-resistente a radiações descoberto em Coimbra
Uma equipa de investigadores de Coimbra está a estudar o micróbio mais resistente do mundo a radiações. O objectivo é aplicar ao tratamento do cancro e na prevenção do envelhecimento a substância que lhe confere a protecção contra a desidratação e radiações.
![]() |
O projecto envolve especialistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), do Centro de Neurociências e Biologia Nuclear (CNC) e do Instituto Pasteur, em França, e o micróbio (Rubrobacter radiotolerans - RSPS 4) foi descoberto na zona termal de São Pedro do Sul, no distrito de Viseu.
Este organismo mostrou-se capaz de resistir aos mais elevados níveis de radiação (ultravioleta e gama) e desidratação prolongada. Exposto de forma continuada a brutais doses de radiações revelou uma capacidade de resistência "milhares de vezes superior à de um humano", afirma o coordenador do estudo, Milton Costa.
Este responsável apresenta o seguinte termo de comparação: "enquanto os humanos expostos a 500 Rads 'corpo inteiro' (doses de radiações absorvidas) não sobrevivem, a 80.000 Rads todas as células deste micróbio continuam vivas".
Os cientistas acreditam que "se o estudo confirmar que os sistemas antioxidantes e anti-radiações encontrados neste micróbio são os responsáveis pela protecção das proteínas a ADN da bactéria, poderemos pensar no desenvolvimento de novas moléculas para serem co-administradas no tratamento de diversas doenças, nomeadamente do foro oncológico", explicam Milton Costa e Nuno Empadinhas.
No que respeita à prevenção do envelhecimento, será possível "desenvolver novas fórmulas antioxidantes para protecção contra a acção nefasta dos radicais livres", acrescentam.
O Rubrobacter radiotolerans desenvolve-se em ambientes tão diversos como o deserto, salas de cirurgia e zonas termais.
Os estudos que conduziram à sua descoberta começaram em 1996, quando um cientista inglês solicitou ao Laboratório de Microbiologia da FCTUC, coordenado pelo Professor Milton Costa, que identificasse um estranho micróbio encontrado num riacho poluído, nas proximidades de uma fábrica de carpetes, em Inglaterra.
Surpresos com as invulgares características reveladas, os cientistas portugueses decidiram pesquisar novas bactérias com as mesmas características e chegaram ao Rubrobacter radiotoleran.
Classifique este artigo:
Pobre
Excelente

A sua votação ajuda os outros utilizadores a medir o valor de um artigo



